sexta-feira, maio 11, 2012

Toda Mídia


O Wall Street Journal noticia, com tradução destacada pelo Valor, que “Carlos Slim, do México, faz um avanço de surpresa na Europa“, fazendo uma oferta pela “cambaleante” holandesa Royal KPN. O jornal diz que o negócio levantou “especulação de que o homem mais rico do mundo pode embarcar numa conquista inversa da Europa”. O WSJ ouve do banco UBS que “Slim é muito bom na compra de bons ativos em mercados deprimidos” e anota que foi assim, ao entrar no mercado brasileiro, via Net e Claro. A perspectiva de redução nos dividendos, devido às aquisições, levou o BTG Pactual a cortar a nota de investimento na corporação de Slim. O Financial Times também noticia, sob o título “Slim está à caça de pechinchas na Europa”. E o New York Times destaca que “Slim busca expandir seu império à enfraquecida Europa”, ele que “construiu fortuna com a ajuda do crescimento de países como o Brasil“. O WSJ noticia que a americana DirecTV, dona da operadora Sky, “diante do mercado de TV paga amadurecido nos EUA, aposta em mercados de crescimento da América Latina, como o Brasil, onde a penetração de TV paga é baixa em relação aos EUA”. O MarketWatch informa, com novo estudo destacando que os ”Serviços de TV paga no Brasil cresceram mais de 30% em 2011″. Ressalta também que os serviços de banda larga cresceram 20%. Do diretor de pesquisa da Parks: "Existem oportunidades digitais domésticas em vários mercados emergentes, mas o crescimento no Brasil é fenomenal.O TNW, por outro lado, noticia que o Netflix assinou com a Fox para licenciar filmes na América Latina, onde “a maior parte do retorno negativo dos usuários, desde o lançamento no ano passado, focou na falta de conteúdo interessante ou novo”.

quinta-feira, maio 10, 2012

A Cachoeira de Abril


A CPI da Veja. O assunto é sério. Gravíssimo. E é hora de todo cidadão honesto ficar alerta. Os barões da mídia se uniram para que uma CPI não passe a limpo as relações criminosas do bicheiro Cachoeira e parte da chamada grande imprensa brasileira, principalmente a revista Veja. O País não pode perder essa oportunidade de desmascarar aqueles que toda semana tentam mostrar nas bancas que são os reis da honestidade. Falam de ética, mas agem como traficantes da informação. Investigações da Polícia Federal já revelaram que a Veja, da família Civita, agiu como porta-voz do bicheiro, preso desde o final de fevereiro, e manteve com ele uma clara troca de favores. A relação fere, no mínimo, qualquer princípio do bom jornalismo. Evidências mostram que a Veja se submeteu aos interesses do crime organizado, jogou a favor de um determinado grupo político por interesses desconhecidos e usou informações obtidas de forma ilegal para atacar seus inimigos. O diretor de jornalismo da Veja virou confidente, amigo íntimo, do bicheiro Cachoeira e de sua turma envolvidos com ações criminosas, como provam as centenas de ligações grampeadas com autorização judicial. Eles escolhiam até em qual parte da revista a informação "denunciada" seria publicada. Quando as denúncias contra o senador Demóstenes Torres e seus negócios com o bicheiro Cachoeira ameaçavam trazer à tona toda sujeira, a revista dos Civita preferiu dedicar uma capa ao Santo Sudário. Bem diferente da cobertura dedicada ao Mensalão, que mereceu 27 capas desde maio de 2005. Repito: 27. Globo e Folha fazem barricada para proteger Veja. É de dar calafrios quando essa turma se une. Onde estão as reportagens no Jornal Nacional citando a revista e a editora abertamente? Onde se escondeu o jornalismo "plural e independente" da Folha? Querem proteger os que praticam um crime. A Veja tenta intimidar os parlamentares que investigam as ligações de Cachoeira com a revista. “Vou explodir”, ameaça Cachoeira da prisão, de acordo com a Veja. Em entrevista a revista, Andressa Mendonça, mulher do contraventor, diz que o marido pode revelar tudo o que sabe. E agora, Veja? O mais importante agora é ver a coragem dos parlamentares para levar de fato Roberto Civita, o dono, a sentar-se em uma das cadeiras da CPI e encarar as perguntas daqueles que estão lá como representantes do povo. O mesmo povo que a Veja tenta enganar todos os fins de semana.

sexta-feira, maio 04, 2012

Delírio ou Mentira???


O governador Geraldo Alckmin acordou animado e prometeu triplicar a rede de metrô paulistano até 2018. Acredite se quiser. Isso significa construir 120 km em 6 anos. Ou 20 km por ano. Tudo bem, não fosse o fato de o PSDB ter demorado os últimos 16 anos para entregar míseros 25 km. A tucanada é lerda mesmo. E porque conseguiriam fazer agora o que não foram capazes nas duas décadas em que estão atolados no poder? Tem que ser muito ingênuo para acreditar numa bravata dessas. Não é a primeira vez que Alckmin e sua turma alardeiam promessas dessa magnitude. Despoluir o Tietê e transformar suas marginas no maior canteiro do mundo foram algumas de suas fanfarronices. Se nem do básico, tipo educação e segurança, eles dão conta, imagina algo tão trabalhoso como ampliar o metrô para o tamanho que ele deveria ter desde os anos 70? Pura bazófia. O delírio verbal do nobre governador fica mais evidente quando nos lembramos do estado de calamidade em que se encontram os trens da CPTM, que sofrem panes homéricas e semanais. Vida de gado. É desanimador ter que ouvir esse tipo de balela. Ofende a inteligência até do otimista mais incorrigível. E nem adianta pedir pra esse pessoal registrar promessas em cartório. O Serra está aí para provar que papel só serve para bolinha. Não podemos dizer que todo político mente. Até porque a lei permite a qualquer pessoa, em último caso, permanecer em silêncio. Mas o eleitor sabe que faz parte da retórica política o apelo à demagogia e as juras que jamais se cumprirão. Acredita quem quiser.

Prosperidade


Em 2008 uma série de eventos econômicos – a eclosão da crise financeira nos EUA e a crise dos PIIGS – colocaram a questão de como restaurar a prosperidade. Até pouco tempo atrás os lideres das economias europeias achavam que tinham a resposta para esta pergunta. A solução seria a austeridade. A austeridade, imposta pelo FMI, restauraria a confiança dos mercados e como resultado haveria crescimento econômico. Quatro anos depois ficou provado que longe de restaurar a prosperidade, a austeridade impediu o crescimento econômico e agravou a situação fiscal dos países que implementaram a receita. O índice de desemprego dos vários países afetados é uma das muitas provas de que a austeridade não trouxe bons resultados. Na Irlanda, o desemprego é agora quase 15%. Na Grécia, o desemprego cresceu para 22%, na Itália, chegou em 9% e na Espanha chega agora a ¼ da população. Esta lista poderia crescer. Interessante notar que em pelo menos dois países que não seguiram o receituário de austeridade, Estados Unidos e Brasil, o desemprego caiu. Nos EUA, apesar de todas as dificuldades politicas, o exemplo de austeridade não foi seguido. As medidas aprovadas no inicio do Governo Obama aliviaram a recessão, poder-se ia dizer que evitaram a depressão, e o estimulo ainda que pequeno fez com que o desemprego caísse de 10% para 8% e no Brasil, o desemprego caiu para 6%. Nas ultimas semanas subitamente a conversa mudou. Começou-se a falar em mudança de estratégia e em particular da necessidade de reverter o ciclo vicioso de desemprego e recessão. Para completar, o Primeiro Ministro holandês renunciou depois que suas medidas de austeridade não foram aprovadas e é possível que o socialista François Hollande vença as eleições na França. Esta mudança de tom coincidiu com a piora das condições na Espanha que passou para o centro dos acontecimentos. A Grécia já ficou para a história e a economia espanhola é quatro vezes maior que a grega. Começa-se a se notar uma divergência entre a visão do FMI e das autoridades europeias. O FMI está começando a se distanciar da visão de que austeridade é a solução. Apesar das declarações de preocupação de Mario Draghi, o BCE está, como esteve outras vezes, paralisado. Agora seria a hora de fazer um afrouxamento monetário, diminuir a taxa de juros, injetar dinheiro nos bancos espanhóis. Repete-se o que já vimos, muita conversa e pouca decisão enquanto a situação se deteriora. Na semana passada nos Estados Unidos, começou uma briga que vem sendo chamada "a briga dos barbudos" entre Bernanke e Krugman, porque Bernanke insiste que não há necessidade de ajudar a economia e Krugman insiste que o medo de inflação não deveria impedir mais flexibilidade monetária para ter mais crescimento econômico. Nos Estados Unidos as eleições estão indefinidas, Obama e Romney aparecem empatados nas pesquisas. Por enquanto as mensagens de ambos os candidatos são genéricas. Muita água vai rolar, mas seja qual for o novo Presidente, o voto do Congresso para aumentar o teto do endividamento vai provocar cortes automáticos de despesas a partir de 2013. Desde Fevereiro, houve um retorno da volatilidade nos mercados acionários. Os pedidos de seguro desemprego aumentaram. Estamos na temporada de resultados das empresas. As incertezas politicas na Europa e nos Estados Unidos estão trazendo de volta os temores de 2008. Pior ainda, ninguém tem uma resposta boa para como restaurar a prosperidade.

quinta-feira, maio 03, 2012

Os Trouxas da Veja


Desesperados, em pânico, os responsáveis pela relação promíscua e suspeitosa que se abateu sobre a Veja tentam criar uma cortina de fumaça para encobrir o que todos os cidadãos esclarecidos já sabem: a Veja agiu como porta-voz da oposição, e para isso se serviu do que há de pior no mundo da corrupção e da arapongagem. No caudaloso editorial travestido de reportagem, o semanário inverte todos os sinais para bancar a tese de que investigar as maracutaias do DEM e o envolvimento da Veja com esse pessoal barra pesada é um truque do PT para abafar o julgamento do chamado Mensalão, em curso no STF. Perdeu a compostura. Primeiro, porque em nenhum momento a “reportagem” deixa claro para o leitor que a Veja está sendo associada a esse esquema, tanto que será convocada, na figura do seu maior expoente, Roberto Civita, a prestar esclarecimentos diante da CPI do Cachoeira. Covardemente, a Veja dá a entender que diversos jornalistas estão sendo chamados a depor. Seria mais uma ofensiva “stalinista” do Governo Dilma contra a liberdade de expressão. Balela. Quem está sob grave suspeição é apenas o panfleto semanal da elite branca deste País. Eles que se virem, não venham com essa conversa furada. Todos queremos que o Mensalão seja julgado de forma rápida e rigorosa. Ladrão é ladrão, independentemente da filiação partidária. Mas uma nova casa caiu. Agora faz sentido todo o espaço que a revista deu para as bravatas do Demóstenes, todas as “informações privilegiadas” a que tiveram acesso. Na verdade, veicularam as teses que interessavam aos bandidos. Porrada em todos. Ponto final. Nem Mensalão, nem DEM, nem Cachoeira. Chega de artimanhas e hipocrisia. Quem viver, verá que de bandidos o Brasil está bem servido. Se há mocinhos nessa história, não sou eu quem vai apontar. Basta não sermos tratados como trouxas. Já é um grande avanço.

O Silêncio dos Inocentes

O movimento “Não Foi Acidente”, que prega a coleta de assinaturas para pressionar o Congresso a endurecer as leis de trânsito é a típica iniciativa populista, demagógica e burra. Só vai servir para gastar papel e adiar o surgimento das verdadeiras soluções. O bom mocismo costuma causar tanto estrago quanto a vilania. Um dos motivos é que fazer o bem é muito mais complexo do que praticar uma maldade. Tente ajudar um vizinho alcoólatra e você vai entender rapidinho. De uns anos pra cá, os que mandam no Brasil desenvolveram um hábito extremamente nocivo de ocupar a sociedade com novas leis que se resumem a reforçar as que já existem. É pura dissimulação de um Estado incapaz de cumprir com suas mínimas obrigações. Se há algo que não falta em nossa terra país são leis. Temos toneladas delas, muitas inúteis e ridículas. Mas as que de fato interessam não são cumpridas, por falha de fiscalização ou desinteresse puro e simples dos poderosos. Se somos o quinto país com maior número de mortes decorrentes de acidentes envolvendo meios de transporte, não é por falta de uma legislação dura. Para começo de conversa, faltam estradas transitáveis, minimamente sinalizadas. Falta equipar nossas polícias rodoviárias. Falta investir em educação a fortuna incalculável proveniente de multas e IPVAs. Falta obrigar as montadoras a fabricarem carros modernos e seguros, compatíveis com os preços extorsivos que tornam nossos veículos os mais caros do sistema solar. Em vez disso, os inocentes úteis ficam atolando redes sociais com essa conversinha de tolerância zero para bebidas. É muito cretino imaginar que um cidadão que tome uma taça de vinho no almoço em família se torne um assassino em potencial que merece ser preso numa masmorra para o resto da vida. Embriaguez ao volante é proibida desde sempre. Essa nunca foi a questão, se pode um miligrama de chope ou quinze doses de cachaça vagabunda. Vamos deixar de ser ingênuos. Esse amontoado de leis criadas de forma apressada, sem contrapartida das autoridades competentes, apenas atola delegados e juízes embaixo de uma montanha de burocracia. No final, sobrevivem apenas os que podem pagar bons advogados. E de uma vez por todas: a maioria das vítimas estão na periferia, nas estradas esburacadas e sem acostamento criminosamente abandonadas pelo poder público. Quem dera nosso problema fossem as Ferraris envenenadas e motoristas que se embriagam em boates de luxo. Nunca faltou lei para punir essa gente. O que sempre faltou foi Justiça, algo que não se encontra nas ruas. Eu, pelo menos, nunca vi.

Provocador



Guardar ressentimento é tomar veneno e esperar que outra pessoa morra. A frase, de Shakespeare, parece ter se tornado o lema da elite brasileira contra a chamada classe ascendente. Puro rancor. Já se tornou um clássico dizer que os aeroportos se tornaram rodoviárias depois que o povão passou a ter acesso, para logo em seguida ser responsabilizado pelo caos aéreo que há décadas vinha sendo engendrado na incompetência de um Estado feito apenas para os 10% mais ricos. A burguesia tupiniquim não gostou de ter te dividir o espaço de suas bagagens com os antigos empregados. Mas como não tem muitos argumentos, fica na dependência de que algum reacionário de plantão venha esculachar o “churrasco na laje”. É assim que falam os colunistas da Folha e profetas do apocalipse. Sem nenhuma originalidade, repetem essa ladainha carcomida pela inveja. Puro despeito, travestido de sociologia de botequim. Os colonizadores escravocratas, ainda têm a petulância de dar conselhos civilizatórios para o povaréu. Alertam sobre o risco do excesso de bagagem. Os esnobes sempre foram fazer compras em Miami. Era chique. Agora que chegou a vez do pessoal da “laje”, não pode mais, é feio. As malas dos pobres redimidos incomodam muito o refinado reacionário. Quer saber? Como diria um aristocrata de verdade: por que no te callas?

quarta-feira, maio 02, 2012

Não se endividar é melhor, mas juros baixos é bom


Dilma Reousseff decidiu partir para o ataque contra os altos juros cobrados pelos bancos. Isto vai na mesma linha do combate à inflação desfechado pelo Plano Real que, nos anos 1990, elegeu Fernando Henrique Cardoso para a Presidência. A diferença é que Dilma já está na presidência há 16 meses e seu governo bate seguidos recordes de popularidade. Se a inflação era o maior problema da economia brasileira no período pós-ditadura, os juros altos são o maior entrave hoje para o crescimento sustentável do país. Nada mais justo, portanto, que Dilma aproveite a sua lua de mel com a população para fazer o que nenhum antecessor dela teve coragem: confrontar o setor financeiro cujos lucros crescem em progressão geométrica a cada ano. Zé Alencar, o vice de Lula, já falecido, com certeza ficaria orgulhoso de ver a presidenta falando na televisão. Afinal, ele passou oito anos no governo reclamando dos juros altos. Dilma agora atendeu aos seus apelos. O governo estava de olho nos bancos desde agosto do ano passado, quando o Banco Central começou a reduzir a taxa básica de juros (Selic), que hoje está em 9% ao ano, a mais baixa dos últimos tempos. Os grandes bancos brasileiros nem se coçaram com a iniciativa de Dilma e continuam cobrando 185% de juros no cheque especial. De fato, é um acinte para a população brasileira que o chamado "spread", a diferença entre o que o banco nos paga de rendimentos e o que cobra quando vamos fazer um empréstimo. Para quem a conhece, até que demorou muito para Dilma perder a paciência. Sem subir o tom de voz, com o semblante sereno, mas com firmeza, ela foi direto ao ponto: "É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo". Até abril, o governo tentou negociar a redução dos juros com a Febraban, mas o setor não queria ceder nada e ainda tentou tirar alguma vantagem. Foi a gota d´água. O presidente do BaCen, Alexandre Tombini, dispensou a interlocução e determinou aos principais bancos públicos do pais, o Banco do Brasil e a Caixa Economia Federal, que tomassem a iniciativa de reduzir os juros. Os grandes bancos privados, para não perder a freguesia, teriam que vir atrás, o que de fato já está acontecendo. Apesar de tratar de um problema econômico, o discurso de Dilma foi essencialmente político, ao pedir diretamente à população que procure as taxas de juros mais baixas. "A Caixa e o Banco do Brasil escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado, provando que é possível baixar os juros". É tudo o que gostariam de ouvir os brasileiros que foram às compras nos últimos anos e agora fazem contas para ver como vão pagar suas dívidas. Com juros menores, eles ganharão confiança até para comprar o que falta e a economia continuará girando. É este o Plano Dilma, um belo presente para os trabalhadores...

quarta-feira, abril 25, 2012

O Nosso Suco

Tem coisa melhor que um suco de laranja espremida na hora com dois cubos de gelo, no balcão da padaria? No café da manhã do domingão? Ressuscita qualquer espírito. Vitamina C, azedume e doçura na medida certa, sempre um sabor ligeiramente diferente do último. O epicentro da indústria da laranja é o estado de São Paulo. É uma máquina de fazer dinheiro. Os plantadores de laranja no Brasil receberam no ano passado de 12 a 15 reais para cada caixa de 40 Kg. Seja no suco da padoca ou no suco no Tetrapack, a margem de lucro sempre foi imensa. E visto que nossa economia cresce, e mais gente pode gastar, estamos tomando mais suco de laranja que nunca. Pra fazer em casa é baratinho, mas demanda tempo e há que dar fim no bagaço depois, e gera um custo de energia. Tem lugar que cobra dois reais, tem lugar que cobra oito, ou mais, dependendo do frescor ou frescura do ambiente. Por que então este ano a caixa de laranjas que valia R$ 12 vai cair pela metade, ou até chegar a R$ 3, segundo analistas? Por que a laranja está em crise? O que vai acontecer com as cidades paulistas cujas economias giram em torno da laranja? E, principal para gente como a gente, nosso suquinho de todo dia vai cair de preço também? A explicação oficial: tem veneno no seu sucoNa safra 2011/2012, tivemos produção recorde de laranja. Nesta nova, teremos de novo uma superprodução. As empresas de suco de laranja estão com os estoques bem fornidos. Como vem mais um monte de suco por aí, elas não precisam se preocupar em garantir o suprimento a preço bom. E o mercado externo está em queda. A responsabilidade principal é do governo americano. Mais da metade do suco de laranja consumido nos EUA é produzido no Brasil. Mas os Estados Unidos decidiram barrar a entrada de cargas de suco com Carbendazim, um fungicida muito usado. Isso espantou o consumidor americano. As vendas de suco brasileiro nos EUA caíram. Os citricultores pediram um ano e meio para se adaptarem a estas novas exigências. Basicamente, vão ter que trocar por agrotóxicos mais caros. Com os quais os americanos não encrencam. Por enquanto. Uma grande ironia!!! Os produtores brasileiros gastam uma boa grana em agrotóxico para aumentar a produtividade, e agora que ela cresceu muito, a super oferta jogou os preços lá embaixo. Que frescos esses gringos, hem? Bem, testes em laboratório indicam que altas doses de Carbendazim podem causar infertilidade. Na Austrália deu escândalo. Altíssimas doses têm consequências seríssimas. Há caso de criança nos Estados Unidos que nasceu sem olhos, após a mãe ser exposta a uma dose alta de Benlate, parente do Carbendazim. Os países ricos decidiram que seu sucão de laranja, amigo, está envenenado. É questão de política comercial? Os testes são precisos? Tem lobby na jogada? Li hoje no jornal: um terço da produção de laranjas pode apodrecer no pé em 2012, simplesmente porque, com estes preços tão baixos, não valerá a pena colher. Tem algo muito errado com o mundo.

terça-feira, abril 10, 2012

Falta Meritocracia

Segundo a mitologia grega, Sísifo era um rei justo e astuto que se envolveu em uma confusão com os Deuses e acabou levando a pior. De todos os personagens da mitologia grega, a ele parece ter sido reservado o pior castigo: foi condenado a empurrar uma pedra até o topo de um monte, soltá-la, descer ao pé do monte e repetir tudo de novo. Eternamente. Castigo considerado pior que a morte. Sísifo simboliza o trabalho inútil. Ele é a versão mitológica do enxugador de gelo. Ele representa todas as pessoas que, não sendo produtivas, estão sempre ocupadas. Sísifo ajuda a entender porque organizações com excesso de funcionários são tão improdutivas. É trabalho que não gera valor, nem tem mérito. Em 1955 foi publicado pela “The Economist” um artigo com o titulo “A lei de Parkinson”, escrito por C. Northcote Parkinson, professor da Universidade de Singapura. O autor explicou que, no trabalho, o tempo disponível é fixo, mas o montante de trabalho é flexível. Assim, as pessoas vão sempre esticar ao máximo a quantidade de trabalho de maneira a fazer com que ela preencha todo o tempo disponível. Por isso, aumenta-se desnecessariamente a burocracia e complicam-se os procedimentos. Segundo Parkinson, isto ocorreria por dois fatores. O primeiro é a lei de multiplicação de subordinados: cada chefe quer multiplicar o número de subordinados para aumentar seu poder em relação aos seus concorrentes. O segundo é a lei de multiplicação do trabalho: o aumento do número de funcionários de um departamento gera aumento no trabalho a ser feito por todos os departamentos que se relacionam com ele. A relação entre recompensa e mérito se enfraquece. Cria-se um sistema perverso que não gera valor para a sociedade. As organizações passam a viver exclusivamente em função delas mesmas sem com isso servir eficientemente a qualquer função social ou econômica. O mérito perde o sentido. A busca e preservação de posições e poder é somente o que conta. O império da lei de Parkinson traz a mesma frustração expressada por Rui Barbosa quando disse que ”de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto“. A lei de Parkinson é o triunfo do corporativismo sobre o mérito. É a condenação da sociedade ao castigo de Sísifo

segunda-feira, abril 09, 2012

Israel

Os Judeus julgam-se acima do bem e do mal. Acham que estão sempre certos em tudo o que fazem, não aceitam críticas de ninguém e se convenceram de que têm carta branca para fazer o que quiserem em qualquer lugar do mundo. Israel é uma nação para os judeus e uma ditadura para os árabes, sejam muçulmanos ou não. Os israelenses usam sempre a justificativa de que estão ameaçados e têm de lutar pela sobrevivência frente aos inimigos. Até aí beleza, mas Israel esta cansado de saber que a ameaça que sofre deve-se hoje, sobretudo, ao fato de ocupar com violência, territórios palestinos. Desocupar as terras palestinas, mediante um acordo, é o primeiro passo para a paz, mas os israelenses não dão nenhuma demonstração de que pretendem fazer isso. Pelo contrário, estão sempre buscando um pretexto para não buscar a paz. Sabem que sempre contarão com o apoio dos EUA, submetidos ao poder econômico judeu e aos interesses geopolíticos da grande potência. Os norte-americanos, a direita mundial e os que consideram que árabes e muçulmanos são intrinsecamente povos belicosos e perigosos, justificam todos os absurdos que os israelenses cometem. Alegam que Israel sofre atentados terroristas, o que é verdade e tem de ser condenado. Mas não se importam com os atos terroristas praticados institucionalmente por Israel nos territórios ocupados, e ilegalmente em outros países. Há uma dupla moral: um lado pode, o outro não. Violência gera violência. Há extremismos dos dois lados, palestino e israelense, e no caso de Israel o extremismo começa no governo tomado por radicais insanos. E assim a paz, com a convivência de dois estados soberanos, fica a cada dia mais distante. Daí, com o apoio dos Estados Unidos, Israel “pode” o que outros países não podem. O poeta alemão Günther Grass, que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, tem toda razão ao dizer que a "potência atômica Israel põe em risco a já frágil paz mundial ao ameaçar bombardear o Irã". Já há nove países com armas nucleares e não é bom para ninguém que haja mais um. Seria melhor que todos renunciassem às bombas, o que está muito longe de acontecer. Mas o bombardeio do Irã por Israel, com apoio direto ou velado dos EUA, porque se suspeita que os iranianos estejam construindo a bomba, é a pior solução, e inaceitável. É típica de um povo prepotente e belicoso!!!

quarta-feira, abril 04, 2012

Sampa

Percorrer a Avenida Sapobemba, cortando a zona leste da cidade de São Paulo, desde os limites da Mooca até São Rafael, é assistir a uma paulatina mudança de paisagem urbana: marcas famosas vão sumindo, construções perdem o acabamento, e os anos de uso dos carros em circulação se tornam proporcionais à quantidade de buracos no caminho. Enquanto rodam dígitos no hodômetro, terrenos baldios intercalam conjuntos habitacionais e casas cada vez mais modestas. O mato invade o espaço que seria das calçadas. A coincidência assume ares premonitórios. Entre a esquina com a Salim Farah Maluf e a encruzilhada com a estrada do Rio Claro, o conteúdo das urnas eletrônicas sofre um câmbio tão radical quanto à substituição do falar italianado pelo sotaque nordestino. São dois territórios com preferências partidárias arraigadas e muito diferentes entre si. Na eleição presidencial de 2010, José Serra teve 72% dos votos na Mooca. Mas a proporção mudava a cada quilômetro adiante, até Dilma Rousseff alcançar 65% da votação em São Mateus. O voto do paulistano está relacionado ao bairro onde ele mora. O PT tem seus maiores redutos na região periférica da cidade, enquanto o PSDB é forte no centro expandido. Esse padrão se repete desde os anos 90 em todas as votações. O determinismo geográfico do voto reflete uma divisão de classe. A explosão demográfica de São Paulo centrifugou imigrantes e trabalhadores de baixa renda entre os anos 40 e 80 do século passado. Em regra, quanto mais longe a moradia, mais pobre o morador. Quanto mais periferia, menos calçamento, iluminação e hospitais. O PT reforçou o geovoto durante os governos de Luiza Erundina e Marta Suplicy. Canalizou investimentos e programas assistenciais para as regiões mais pobres e distantes das zonas sul e leste da cidade. Cativou seu eleitorado em Parelheiros e Guianases, mas alienou eleitores dos bairros mais centrais que se sentiram preteridos com a mudança de prioridade. O PSDB é menos organizado que o PT, como provou o baixo quorum das prévias tucanas na cidade. Mas se faltam militantes, seu eleitorado é tão fiel quanto o petista. Em 2008, PT e PSDB lideraram, juntos, os votos de legenda para vereador em São Paulo: 21% para cada partido. A divisão se repetiu em 2010 na eleição para deputado federal. A legenda do PT recebeu 22%, e a do PSDB ficou com 19%. A concentração do eleitorado tucano é proporcional à riqueza dos moradores. No centro expandido, varia de 82% no Jardim Paulista a 68% no Butantã. Em décadas passadas, a outra parte do eleitorado antipetista foi malufista. É o segmento que se concentra numa faixa contínua, desde o Jaçanã e a Vila Maria, ao norte, até a Vila Prudente. Decepcionado e desamparado por seu líder, esse eleitor voltou-se para quem tem mais chances de derrotar os petistas. Votou em Serra em 2004 e em Kassab em 2008. Nesses pedaços da cidade, só muda a intensidade da vitória, mas o vencedor é sempre o mesmo: petistas na periferia e tucanos no centro e no colar malufista. Por isso, tornou-se estratégico o meio do caminho entre o petismo e o antipetismo. São as zonas eleitorais que oscilam de um partido a outro de eleição para eleição. É também uma zona de transição social, de emergência da nova classe média, que muda de hábitos de consumo e pode mudar também de partido. Na ZL, os termômetros que indicarão para qual lado a eleição vai virar são Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Vila Jacuí, Ponte Rasa, Vila Matilde, Itaquera, Conjunto José Bonifácio e Sapobemba. No Sul: Jardim São Luís, Socorro e Campo Limpo. Juntos, eles somam 1 milhão de votos válidos. O futuro prefeito de São Paulo deve sair do balanço dessas zonas.

BRICS

O livro Eclipse” do polêmico Arvind Subramanian, comenta sobre o domínio econômico da China, analisa as medições do PIB de acordo com índice de paridade de poder de compra. Através deste conceito a China deve ultrapassar os EUA em 2012, apesar de que no conjunto total da economia isto ocorrerá somente em 2020. Isto faz lembrar-me do caso do Brasil em que analistas internacionais comentavam que seria a 6ª economia mundial somente em 2037. E o país é desde dezembro de 2011. Em termo de comércio, riqueza e finanças, não há dúvida da potencialidade da China, que ocupa um lugar de destaque no cenário internacional e com maior reserva cambial do mundo, financiando ações em todos os continentes. 
De acordo com o livro de Jim O’Neill, “The Growth Map”, o mapa do crescimento está nos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O livro prevê o desenvolvimento destas cinco nações. O grupo cresceu, em 10 anos, de US$ 3 trilhões para o total de US$ 13 trilhões, muito acima de suas expectativas iniciais. 
No estudo "Paper 99" de 1996, do Goldman Sachs, os EUA seriam ultrapassados pela China em 2045, e na atual conjuntura, isto ocorrerá por em 2020. O Brasil cresce no efeito China com suas commodities, podendo ser beneficiada também a Rússia. Os BRICS são complementares em suas ações, o que é um incentivo maior para o crescimento destes países. Ainda de acordo com este estudo, o PIB será proporcional a sua população, como o caso da China e Índia. O "Paper 204" do Goldman Sachs faz comparações e projeções para 2030, que são:
- A China será a maior economia mundial com 27% do PIB Mundial em 2050, acompanhada, em 2º lugar, pela da Índia, com 12%. Os EUA serão a 3ª maior potência econômica, com 10% do PIB, o Brasil o 4º, com 5%, e a Rússia a 5ª economia, com 3%. Ou seja, quatro dos cinco primeiros serão dos BRICS. A arma secreta do desenvolvimento da China é a educação, do Brasil é o efeito China, atualmente o maior destino das exportações brasileiras. O crescimento da Rússia está vinculado às commodities, mas sua população está envelhecendo e diminuindo, o que influenciará a velocidade do desenvolvimento econômico. A Índia aumentou em 45% suas exportações em 2011, começando a despertar para o novo cenário econômico mundial.
- O Brasil pode tornar-se a 5ª potência mundial entre 2012 a 2014, por vários motivos. A França é a 5ª maior potência mundial e terminou 2011 com um PIB da ordem de US$ 2,8 trilhões contra US$ 2,4 trilhões do Brasil.
- Apesar de todas as projeções e estudos destas instituições, ressalto que existem variáveis que afetarão o desenvolvimento das nações. O mundo passará por transformações radicais, como os reflexos dos efeitos climáticos e ambientais, como a falta de água, da produção de alimentos, do manejo das reservas de florestas existentes, além do efeito tecnologia e conhecimento. Práticas de sustentabilidade e economia verde atreladas à tecnologia inovadora mudarão a realidade. Neste contexto, a tecnologia pode ajudar o Brasil, os EUA, a Alemanha e a Índia, já as commodities que são moedas de troca favorecem a Rússia e o Brasil.